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Cinemateca Revolucionária #13: Deus, Pátria e Autoridade, de Rui Simões (1976)

Maio 20, 2013

«Deus, Pátria e Autoridade», de Rui Simões  (1976)

Neste filme, feito em jeito de rescaldo do PREC, Rui Simões, autor do documentário «Bom Povo Português», oferece-nos uma visão crítica, e consciente, da história da luta de classes em Portugal desde a envergonhada Revolução Republicana de 1910 até à Revolução Operária e Popular de Abril de 1974.

«De um lado trabalhadores que produzem , e vivem mal, do outro lado patrões que nada produzem, e vivem bem. Isto acontece porque Portugal é um país capitalista.»

A frase, em cima, expressa bem a visão marxista e de classe que Rui Simões impõe ao seu filme. Estando ciente das contradições inerentes a qualquer período revolucionário, o realizador teve o cuidado de desmascarar o papel das direções oportunistas e reformistas que lideraram o movimento operário durante o PREC e o levaram para um beco sem saída. Estas direções, que impondo às classes trabalhadoras medidas e soluções colaboracionistas, defenderam conscientemente os interesses da burguesia nacional e internacional que pretendia esmagar a revolução a todo o custo; e com isso conseguiram travar as massas que ocupavam as ruas e as fábricas à procura de um caminho para uma sociedade justa, solidária e igualitária: uma sociedade socialista.

Como não poderia deixar de acontecer, o resultado desta traição permitiu a construção de um estado burguês, com uma democracia parlamentar burguesa e uma Assembleia da República onde capitalistas, oportunistas e burocratas se representam a si próprios, em vez de representarem quem os elegeu, e decidem «democraticamente» a sua fatia do bolo, ou seja a mais valia roubada do trabalho das classes exploradas. E tal como acontecia no regime fascista de Salazar e Caetano, e acontece hoje com o regime de PS, PSD e CDS-PP, a democracia que existe é de fachada e só serve para enganar os mais incautos e servir os patrões, como narra Rui Paulo da Cruz:

«O fascismo não cai nem os patrões vergam com eleições.»

Rui Simões também não esquece a guerra e mostra-nos o passado colonialista português e a vergonha dos que defendiam uma África «nossa», contra a vontade das massas de trabalhadores africanos que lutavam pela independência do seu povo e pelo fim da guerra. «Deus, Pátria e Autoridade» é uma obra essencial para um entendimento, mais profundo, das causas da derrota do ascenso revolucionário do proletariado português e da vitória da ofensiva contra-revolucionária desencadeada pela burguesia, adjuvada pelas direções oportunistas e reformistas, cujas criminosas consequências sentimos hoje.

F. C.
20 de Maio, 2013

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