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Este Abril é de Revolta

Abril 17, 2013

Ainda ecoam nas ruas as vozes da revolta e da alegria de um povo que estava farto de ser roubado e explorado. Se é verdade que os tanques foram um peça fundamental para que se desse Abril, também é verdade que Abril só aconteceu porque as pessoas saíram à rua. Milhares saíram à rua sem medo de um futuro melhor e transbordantes daquela vontade ingénua, mas revolucionária, característica de um povo que desperta e se redescobre. A necessidade de uma Revolução sentia-se de norte a sul de Portugal até às colónias em África. Só faltava o rastilho para que o país se incendiasse de uma ponta à outra contra uma guerra que não era nossa.

Hoje o clima é semelhante. O imperativo pagamento da dívida pública ganhou contornos de guerra social. Submetem-nos a uma vida de pobreza que põe em causa a nossa dignidade e a nossa liberdade, fazem da democracia letra morta, e isto tudo em nome de uma dívida que não é nossa.

Homens, mulheres, estudantes, trabalhadores, reformados e pensionistas, ninguém escapa à voragem e à selvajaria dos bancos nacionais e estrangeiros que para se salvarem condenam países inteiros à fome e à miséria. Nem um tostão para a saúde e a educação! Vendam tudo! Dizem os vampiros do FMI, do BCE e da Comissão Europeia. É assim que estes embaixadores do retrocesso civilizacional pretendem resolver a crise. Mas afinal estes sacrifícios servem para quê? Para salvar o quê e quem?

Ora vejamos quem é que beneficiou com a entrada da Troika em Portugal (a lista é deveras grande):

– Os bancos BPN, BPP, BPI, Banif,…;

– José Sócrates e os seus amigos do PS;

– Passos Coelho e os seus amigos do PSD;

– Paulo Portas e os seus amigos do CDS-PP;

– Christine Lagarde e o FMI;

– Angela Merkel, Durão Barroso e a Comissão Europeia;

– Os grandes capitalistas franceses e alemães protegidos pelo BCE e o Euro;

– A Igreja Católica e as instituições de “caridadezinha” social.

E os benefícios dos nossos “salvadores” são mantidos à custa de quem e como? (façamos outra lista):

– Aumento da carga horária de trabalho;

– Aumento de impostos: IRS, IVA, IMI, …;

– Aumento do custo dos serviços essenciais: luz, água, gás, telefone, internet, habitação, transportes;

– Aumento das taxas de acesso dos serviços públicos: saúde, educação, justiça,…;

– Aumento da idade da reforma;

– Redução de salários;

– Despedimentos na função pública num país com mais de um milhão de desempregados;

– Privatização de serviços públicos: Serviço Nacional de Saúde, Universidades, Correios,…;

– Cortes na segurança social: subsídios de desemprego, reformas e pensões;

– Fim dos apoios estatais à cultura;

– Uma vaga de emigração como não se via desde o salazarimo (incentivada pelo próprio PSD);

– Uma dívida pública que não para de aumentar desde que a Troika aterrou em Portugal, como se pode confirmar pela notícia do Económico (20/12/12):

“A dívida pública de Portugal chegou aos 120,5% do PIB em Setembro, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).

Este valor é um máximo histórico e confirma a tendência de rápida subida da dívida portuguesa. Em Junho, a dívida estava nos 117,6% do PIB.

A crise financeira acelerou muito rapidamente o ritmo de crescimento da dívida das administrações públicas. No final de 2008, a dívida estava ainda nos 71,7% do PIB.”

– E os cortes, as privatizações e os aumentos continuarão até que não haja mais nada para vender neste país.

Se em 1974, a causa principal da crise portuguesa eram as colónias, hoje, a crise é consequência de sermos uma colónia do imperialismo financeiro com sede em Bruxelas. O poder que os bancos usufruem nesta União Europeia de capitalistas põe em causa a soberania dos países que foram empurrados para este poço sem fundo que é o Euro (veja-se o caso do Chipre). Esta UE subjuga todos os povos europeus aos interesses de uma classe de exploradores que parece não saber o que fazer para resolver a crise em que nos meteu. É caso para dizer: estamos nas mãos de loucos. E esses loucos estão nos parlamentos e nas televisões de todos os países desta Europa que não cumpriu o seu desígnio de ser solidária, justa e igualitária.

Quando se ouvem gritos de revolução em todo o norte de África e quando se vêem trabalhadores em luta desde Moscovo até Caracas é porque vivemos períodos de mudança. São sinais de que o mundo transforma-se e revolta-se. O 15 de Setembro e o 2 de Março são a prova viva que o povo e os trabalhadores portugueses também fazem parte deste grande movimento de transformação a nível internacional. Portanto não fiquemos para trás e voltemos às ruas no próximo dia 25!

Está na hora de construirmos outro país, outra Europa, outra economia e outra Revolução que nos devolva o futuro, a esperança e o progresso de Abril de 74.

1, 2, 3! Abril outra vez!

F. C.
17 de Abril de 2013

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