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“Como vivem e lutam os trabalhadores”

Março 30, 2013

Para Alemão Ver…

Nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, foram há tempo especializar à Alemanha alguns mecânicos; à partida, o director disse-lhe que cada um tinha 16 contos para gastar enquanto lá estivesse, recomendado que “não deixassem ficar mal o País”. Mas quando voltaram, passados dois meses, o director comunicou-lhes que ia passar a descontar nos salários 9 contos do dinheiro anteriormente abonado! Os operários recusam-se a dar um tostão, dizendo que não têm culpa que os salazaristas quisessem “fazer figura” na Alemanha.

Exploração Desenfreada na Têxtil

A fábrica “Simões”, de Lisboa, tem cerca de mil operários, na maioria mulheres. Eis alguns dados elucidativos das condições de exploração capitalista nesta grande empresa: as aprendizas ganham 10$80 e 12$50 por dia; são precisos 25 ANOS de casa para ter direito a 18 dias de férias! As empreitadas estão estabelecidas de tal forma que obrigam a um ritmo infernal para atingir os mínimos; as costureiras, por exemplo, que trabalham de empreitada, muitas vezes não conseguem sequer o salário normal, o que é um roubo, pois o contrato estabelece que, mesmo no trabalho à empreitada, o salário deve ser pago integralmente. Há aqui um encarregado chamado Saldanha que rouba descaradamente as operárias, mudando e elevando constantemente as normas, de moda a não pagar os prémios de produção. As operárias não podem sair de junto da máquinas nem falar uma com as outras. Aplicam-se multas por todos os defeitos de fabrico, mas depois a empresa vende as peças como boas, embolsando o dinheiro das multas. Quando as operárias protestam, os encarregados ameaçam com a polícia e com o despedimento.
Operárias da “Simões” – Sé a vossa falta de acção unida permite aos patrões roubarem-vos insaciavelmente. É preciso que os trabalhadores da “Simões” enfileirem decididamente na luta reivindicativa da classe operária de Lisboa, conquistando maiores salários e não consentindo a infame exploração actual”

Fonte Jornal Avante! Clandestino n.º 326 Fevereiro de 1963

Depois de ler este artigo de um jornal Avante! saído dos “saudosos” anos 60, que muita gente, incluindo gente democrata, parece querer recuperar à força – fenómeno bem visível na moda, mas que na economia também encontra os seus partidários com os novos keynesianos e estalinistas – pergunto aos partidários da democracia direta, essa nova caixa de pandora, o seguinte: afinal o que pretendem com essa nova democracia? Resolver que problemas? Eliminar a corrupção? Combater a carestia de vida? Acabar com a exploração? Relançar a economia? É certo que – vista de longe – a ideia de um parlamento composto por cidadãos independentes é aliciante, mas daí surge outra dúvida: onde estão os cidadãos independentes? Será que existem? Têm de admitir que há qualquer coisa de sebastiânico no vosso projeto.

Parece-me que os que falam em independência são sempre aqueles que têm mais interesse nisso, ou seja aqueles que esperam lucrar alguma coisa com essa independência o que, segundo a lógica, os faz dependentes de alguém, logo não enganam ninguém. Confusos? Ficaremos ainda mais se considerarmos independentes um Durão Barroso ou um José Sócrates. Estes dois políticos são um belíssimo exemplo de independência porque, apesar de pertencerem a partidos, sempre pensaram unicamente em si e, sendo mais preciso, nas suas contas bancárias. Pois se analisarmos os seus percursos, em ambos os casos estes homens, com a maior das calmas, abandonaram os seus partidos no “lodo político” para seguirem os seus interesses pessoais, provocando autênticas crises de liderança entre as suas comadres! Ou seja portaram-se como verdadeiros independentes! É verdade ou não é? Por estas razões eu considero que a suposta questão da independência dos deputados é uma falsa questão que não irá resolver nada.

Está mais do que visto que a causa da exploração e da desigualdade provém do sistema económico em que vivemos (o capitalismo) e não do protótipo de governo que se tem (democracia parlamentar, monarquia constitucional ou governo de partido único). Portanto é utópico desejarmos um parlamento que miraculosamente resolva os problemas do país e dos trabalhadores! Era bom que mudando as pessoas as coisas também mudassem mas não é bem assim, pois enquanto vivermos numa economia capitalista qualquer decisão que se tome estará subordinada aos interesses dos verdadeiros senhores da economia: os bancos. Por isso, qualquer que seja a democracia que tenhamos essa só será verdadeiramente consequente e democrática se nós, os trabalhadores e as trabalhadoras, controlarmos a economia.

Agora em jeito de conclusão. Não é nada de espantoso descobrir que os trabalhadores portugueses eram explorados durante o salazarismo. Mas, digamos, que é em tudo escandaloso descobrir que os trabalhadores portugueses continuam a ser explorados, de maneira muito semelhante, sob um regime que se diz democrático e pluralista – a entrevista, em baixo, feita ao camarada Alcides Santos é a prova viva disso. (Clicar na imagem para ampliar)

alcides

F. C.
30 de Março, 2012

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