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“Portugal sob o Jugo dos Monopólios”

Março 3, 2013

Podia ser o título de uma notícia de um jornal de hoje mas trata-se do título de um artigo do jornal Avante!, de Junho de 1960. Diga-se, as parecenças com a atual situação económica do país são surpreendentes! É caso para dizer as Troikas são outras, os Ladrões são outros mas o Povo continua na miséria. Em baixo segue um excerto do artigo:

“Portugal sob o Jugo dos Monopólios
Os trabalhadores, principais vítimas do processo monopolista

O povo português, desde as classes trabalhadores à pequena burguesia nacional, suporta neste momento a mais brutal ofensiva dos monopólios contra os seus interesses vitais.
Sob o pretexto dos acordos internacionais assinados pelo governo de Salazar – acordos que amarram a economia nacional aos interesses monopolistas da Europa e abrem o mercado português à ruinosa concorrência estrangeira – os governos intensificam a exploração das classes trabalhadoras.

Ao mesmo tempo que a ofensiva monopolista se desenvolve abertamente no terreno económico, multiplicam-se os esforços fascistas no terreno ideológico no sentido de criarem no país um clima de aceitação das medidas anti-populares do governo, desnaturando-lhes o seu verdadeiro carácter de classe.

À cabeça desta campanha de mistificação ideológica destaca-se o actual Ministro da Economia, Ferreira Dias, que ao contrário do que afirmou na sua conferência de 26 de Maio no Porto, não é “um cidadão de modesta vida, afastado de todas as ligações e interesses”, mas um “testa-de-ferro” do capital financeiro, directamente ligado ao mais poderoso “cartel” capitalista do país – o da energia eléctrica. O seu mais dilecto colaborador, o actual Secretário do Comércio, segue-lhe as pisadas.

Não faltam ainda outros coriféus a darem a sua colaboração a este trabalho de confusionismo ideológico, como o economista fascista Pedro Martinez que enfeita a política monopolista de Salazar com o aliciante nome de “humanismo económico”…

Finalmente, o ministro-polícia Veiga de Macedo anuncia uma reforma “revolucionária” da estrutura do salário e o advento do “operário accionista” em lugar do mísero e recalcitrante assalariado…

Procuraremos demonstrar que a monopolização da economia nacional, sob a égide do capital financeiro, apenas tem aproveitado e aproveita a um reduzido punhado de grandes monopolistas portugueses e estrangeiros e que ela é a causa principal da ruína e do atraso económico da nação e da cruciante miséria das camadas mais amplas do nosso povo…”

Fonte Arquivos do Jornal Avante! Clandestino

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