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De quem é o Carvalhal? É nosso!

Fevereiro 3, 2013

Após comprovação da realidade dos factos, da justiça e da razão que assistia ao Povo, – mas também, por terem facilmente constatado a determinação, coragem, valentia e um forte crer em cada um dos rostos que olhavam, resolveram regressar à Covilhã carregando a firme convicção da impossibilidade de demover aquela gente dos justos intuitos que a mobilizaram na defesa intransigente de um bem que sentiam de direito próprio.

Após estes acontecimentos, ficou então determinado que a partir daquela data, os interesses no Carvalhal ficariam assim repartidos:
– «A terra a quem a amanha» – ficaria pertença do Povo do Souto da Casa
– Toda a castanha ficaria pertença da Irmandade do Santíssimo Sacramento que a arremataria anualmente em proveito da Paróquia
– Os pastos e o esparto (também conhecido por esparcho) com que se faziam os capachos, tapetes, vassouras e seiras para os lagares, – pertenceriam à Junta de Freguesia.

Ficou também acordado, que todos os anos, na Quarta–Feira de Cinzas, por ser uma data que antecede as sementeiras, o Povo deslocar–se–ía ao Carvalhal para proceder à demarcação do pedaço de terra (glebas) que cada um haveria de tratar durante todo o ano.

A autorização para aquela demarcação haveria de ser dada pelo Regedor, do alto do Cabeço do Tiro, através de um tiro de mosquete ou de pistola a acontecer às 13 horas de cada Quarta–Feira de Cinzas.

Era executada por todo o agregado familiar com enxadas ou amontoando pedras, formando carreiros bem visíveis e definitivos. Depreende–se a justiça e a lógica das demarcações efectuadas por todo o agregado familiar e não apenas pelo chefe de família já que, quanto maior fosse o número de pessoas a viver em comunhão de mesa e habitação, maior seria a área demarcada porque na verdade, maior teria de ser também a sementeira , para se obter uma produção proporcional às necessidades.

Era usual que cada família escolhesse uma gleba de terra para as culturas de regadio e outra de seco, para a sementeira do pão (centeio).

Apenas um terço de toda a terra do Carvalhal era demarcado em cada ano.

Foi decidido dividir o prédio em três partes e por determinação do Regedor, fazia–se a rotação anual de cada terço para sementeira. Os restantes dois terços ficavam de pousio e representavam uma verdadeira fonte de receita para a Junta de Freguesia pela venda (arrematação) dos pastos que germinavam nessa zona.

Com o Povo reunido junto à Secadeira, e antes da proferir a autorização para o início da demarcação das glebas, era hábito que o Regedor proferisse a seguinte frase dirigindo–se a todos:

A Terra é de quem a amanha, o Sol, de quem o apanha.

Fonte Site da Junta de Freguesia de Souto da Casa

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