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E a “solução” que o capitalismo reserva para essa gente é a de fazê-los “morrer à fome”

Outubro 18, 2012

(…)

E, desde logo, outro ponto muito importante sobre que também temos de reflectir seriamente é o de que até aqui só olhámos para a classe operária não apenas na perspectiva de a identificar exclusivamente com o proletariado industrial (e já vimos que hoje há, de igual modo, uma multidão crescente de trabalhadores proletarizados) como também de considerar apenas os empregados e os desempregados, considerando estes como um exército industrial de reserva cuja existência serve fundamentalmente para exercer pressão para o abaixamento dos salários de quem está empregado.

Sucede, porém, que nós temos hoje uma nova forma de proletariado e que não é mais apenas a dos empregados ou a dos desempregados, mas sim também a dos inempregados, ou seja, a dos trabalhadores que nunca tiveram e que nunca terão emprego!

Por exemplo, em Portugal, a principal indústria em termos de número de trabalhadores era a da Construção Civil e Obras Públicas, a qual empregava, há cerca de 20 anos atrás, à volta de 670 mil trabalhadores, e que nestas duas décadas passaram para pouco mais de 200 mil, ou seja, 400 mil foram para a rua e nunca vão voltar ao mercado de trabalho! Por outro lado, os números oficiais do desemprego jovem atingem neste momento os 35%, ou seja, mais de 1/3 dos jovens, mesmo licenciados e mais qualificados, não conseguem e nunca conseguirão emprego.

E isto porquê? Porque não há actividade produtiva suficiente para empregar toda a gente? Não! Porque o sistema capitalista financeiro globalizado tem gente “a mais” para manter a exploração ao nível da sua cúpula financeira. E a “solução” que o capitalismo reserva para essa gente é a de – na lógica das soluções malthusianas – fazê-los “morrer à fome” (embora haja na sociedade recursos e bens mais do que suficientes para garantir a subsistência dessas pessoas), logo tratando de “justificar” adequadamente todas as medidas tendentes a essa espécie de “solução final” sob teorias como as da “tolerância zero” para com os deficientes, os doentes, os idosos e os pobres, apresentados como gente que está a mais e deveria era desaparecer para não pesar no orçamento das chamadas “despesas sociais”, ou então para com os desempregados e os inempregados, provocatoriamente definidos como gente preguiçosa, não empreendedora, acomodada e, logo, merecedora do seu abandono à fome e à miséria.

Temos assim que este novo capitalismo é, pois, um capitalismo financeiro global, em que as grandes potências capitalistas praticamente deixam de produzir mercadorias industriais, em que a classe operária desses países é cada vez menos proletária industrial e cada vez mais constituída por trabalhadores proletarizados, como também em que essa classe operária é composta por esses trabalhadores proletários e proletarizados empregados, por trabalhadores desempregados e ainda por uma grande massa de trabalhadores inempregados e inempregáveis, que, porém, são hoje quase por completo ignorados e mesmo abandonados pela maioria das organizações de trabalhadores como os Sindicatos e pelas organizações políticas como os Partidos.

(…)

Garcia Pereira no XI Congresso de Sindicalismo Global (CONSIG), em São Paulo
Fonte Luta Popular Online

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From → O Tudo e o Nada

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