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A Cerveja e a Revolução

Outubro 2, 2012

A cerveja bávara é a mais célebre de todos os tipos de bebidas feitas na Alemanha e, claro, os bávaros são fãs do seu consumo em altas quantidades. O governo decretou um novo imposto de mais ou menos 100s. ad valorem sob a cerveja e, em consequência disso, uma revolta ocorreu, durando mais de quatro dias. Os trabalhadores unidos em massa saíram em passeata pelas ruas, assaltando os bares, quebrando janelas, danificando a mobília e destruindo tudo a seu alcance, tudo para se vingar do aumento de preço da sua bebida favorita. O exército foi chamado, mas um regimento da guarda montada, quando convocada ao embate, recusou. A polícia, sendo considerada, em todos os lugares, mal-vista pelo povo, foi severamente agredida e mal-tratada pelos revoltosos; e cada estação ocupada antes por policiais, teve que ser ocupada por soldados que, ao estarem em melhores termos com o povo, eram considerados menos hostis e mostraram uma relutância evidente em interferir. Eles só interferiram quando o palácio do Rei foi atacado e, então, eles meramente colocaram-se em posição suficiente para deter os revoltosos. Na segunda noite (dois de maio), o Rei, que teve um casamento na sua família e por isso tinha vários ilustres visitantes na sua corte, visitou o teatro; mas quando, após o primeiro acto, uma multidão reunida à porta do teatro ameaçou atacá-lo, todos saíram da casa para ver o que ocorria e Sua Majestade, com seus ilustres visitantes, foi obrigado a segui-los, senão seria deixado sozinho em seu assento. Os jornais franceses declaram que o Rei nessa ocasião ordenou que os militares que estavam na frente do teatro atirassem nas pessoas e, por sua vez, os soldados recusaram. Os jornais alemães não mencionaram isso, como era esperado em publicações sob censura; mas como os jornais franceses são, algumas vezes, mal informados sobre os assuntos estrangeiros, nós não podemos confirmar a veracidade das suas declarações. Diante disso, no entanto, parece que o Rei Poeta (Ludwig, Rei da Bavária, é o autor de três volumes de poemas impossíveis de ler, de um guia turístico sobre um de seus prédios públicos, etc., etc.) esteve numa posição muito embaraçosa durante essas revoltas. Em Munique, uma cidade cheia de soldados e policiais, a sede da corte real, a revolta durou quatro dias, mesmo com todo o aparato militar, e, no final, os revoltosos forçaram sua demanda. O Rei restaurou a tranquilidade por uma ordem que reduzia o quarto de cerveja de dez kreutzers (3 1/4 d) para nove kreutzers (3d). Se o povo agora sabe que eles podem amedrontar o governo nos assuntos fiscais, eles logo aprenderão que será fácil amedrontá-los em assuntos mais sérios.

Fonte Revolta da Cerveja na Bavária, de Friedrich Engels

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From → O Tudo e o Nada

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