Skip to content

A Decadência do Capitalismo

Agosto 1, 2012

Por mais custoso que tenha sido o domínio do mercado para a sociedade, até determinada etapa, aproximadamente até a Guerra Mundial, a humanidade cresceu, se desenvolveu e se enriqueceu através das crises parciais e gerais. A propriedade privada dos meios de produção continuou sendo, nessa época, um fator relativamente progressista. Mas, agora, o domínio cego da lei do valor se nega a prestar mais serviços. O progresso humano se deteve num beco sem saída.

Apesar dos últimos triunfos do pensamento técnico, as forças produtivas naturais já não aumentam. O sintoma mais claro da decadência é o estancamento mundial da indústria da construção, como consequência da paralisação de novos investimentos nos sectores básicos da economia. Os capitalistas já não são simplesmente capazes de acreditar no futuro de seu próprio sistema. As construções estimuladas pelo governo significam um aumento dos impostos e a contração da renda nacional “sem travas”, uma vez que a principal parte das novas construções do governo é destinada diretamente a objetivos bélicos.

O marasmo adquiriu um carácter particularmente degradante na esfera mais antiga da atividade humana, na mais estreitamente relacionada com as necessidades vitais do homem: a agricultura. Não satisfeitos com os obstáculos que a propriedade privada, na sua forma mais reacionária, a dos pequenos proprietários, cria para o desenvolvimento da agricultura, os governos capitalistas se vêem obrigados, com frequência, a limitar artificialmente a produção com a ajuda de medidas legislativas e administrativas que teriam assustado os artesãos dos grêmios na época de sua decadência. A história se lembrará de que os governos dos países capitalistas mais poderosos ofereceram prémios aos agricultores para que reduzissem suas plantações, quer dizer, para diminuir artificialmente a renda nacional já em baixa. Os resultados são evidentes por si próprios: apesar das grandiosas possibilidades de produção, asseguradas pela experiência e pela ciência, a economia agrária não sai de uma crise putrescente, enquanto que o número de famintos, a maioria predominante da humanidade, continua rescendo mais rapidamente que a população de nosso planeta. Os conservadores consideram que se trata de uma boa política para defender a ordem social, que desceu a uma loucura tão destrutiva, e condenam a luta do socialismo contra semelhante loucura como uma utopia destrutiva.

(…)

Consequentemente, para salvar a sociedade não é necessário deter o desenvolvimento da técnica, fechar as fábricas, conceder prémios aos agricultores para que sabotem a agricultura, depauperar um terço dos trabalhadores nem convocar os maníacos para fazerem as vezes de ditadores. Nenhuma destas medidas, que constituem um horrível engodo para os interesses da sociedade, é necessária. O que é indispensável e urgente é separar os meios de produção de seus atuais proprietários parasitas e organizar a sociedade de acordo com um plano racional. Então será realmente possível, pela primeira vez, curar a sociedade de seus males. Todos que sejam capazes de trabalhar devem achar um emprego. A jornada de trabalho deve diminuir gradualmente. As necessidades de todos os membros da sociedade devem ter assegurada uma satisfação crescente. As palavras “pobreza”, “críse”, “exploração”. devem ser tiradas de circulação. A humanidade poderá cruzar finalmente o umbral da verdadeira humanidade.

A Inevitabilidade do Socialismo

“Ao mesmo tempo que diminui constantemente o número dos magnatas do capital — diz Marx — crescem a massa da miséria, a opressão, a escravidão, a degradação, a exploração; mas com isso cresce também ‘a revolta da classe trabalhadora, classe que sempre aumenta em número, disciplinada, unida, organizada pelo próprio mecanismo do processo da produção capitalista /…/ A centralização dos meios de produção ea socialização do trabalho atingem finalmente um ponto em que se tornam incompatíveis com seu invólucro capitalista. Este invólucro se faz em pedaços. Soa a hora fatal da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados”. 

Esta é a revolução socialista. Para Marx, o problema de reconstituira sociedade não surge de nenhuma prescrição motivada por suas predileções pessoais; é uma conseqüência — como uma necessidade histórica rigorosa — do potente amadurecimento das forças produtivas por um lado; da ulterior impossibilidade de fomentar essas forças à mercê da lei do valor, por outro lado.

As elucubrações de certos intelectuais, que prescindem da teoria de Marx, sobre o socialismo não ser inevitável mas unicamente possível, são desprovidas de qualquer conteúdo. Evidentemente, Marx não quis dizer que o socialismo viria sem a vontade e a acção do homem: tal idéia é simplesmente absurda. Marx previu que a socialização dos meios de produção seria a única solução para o colapso econômico — colapso este que temos diante de nossos olhos — no qual deve culminar, inevitavelmente, o desenvolvimento do capitalismo. As forças produtivas precisam de um novo organizador e um novo amo, e dado que a existência determina a consciência, Marx não teve dúvida de que a classe trabalhadora, à custa de erros e derrotas, chegaria a compreender a verdadeira situação e, mais cedo ou mais tarde, tiraria as conclusões práticas necessárias.

Que a socialização dos meios de produção cria dos pelos capitalistas representa uma tremenda vantagem económica, pode se demonstrar hoje em dia não só teoricamente mas também com a experiência da União dos Sovietes, apesar das limitações desta experiência. É verdade que os reacionários capitalistas, não sem artificio, utilizam o regime de Stalin como um espantalho contra as idéias socialistas. Na realidade, Marx nunca disse que o socialismo pudesse ser alcançado num só pais e, além disso, num país atrasado. As contínuas privações das massas na União Soviética, a omnipotência da casta privilegiada que se ergueu sobre a nação e sua miséria e, finalmente, a desenfreada lei do porrete dos burocratas, não são consequência do método económico socialista, mas do isolamento e do atraso da Rússia Soviética cercada pelos países capitalistas. O admirável é que, nessas circunstâncias excepcionalmente desfavoráveis, a economia planificada tenha conseguido demonstrar suas insuperáveis vantagens.

Todos os salvadores do capitalismo, tanto os democratas quanto os fascistas, pretendem limitar, ou pelo menos dissimular, o poder dos magnatas do capital para impedir “a expropriação dos expropriadores”. Todos eles reconhecem, e muitos deles admitem abertamente, que o fracasso de suas tentativas reformistas deve levar inevitavelmente à revolução socialista. Todos eles encontraram uma maneira de não deixar evidente que seus métodos para salvar o capitalismo não passam de charlatanismo reacionário e inútil. O prognóstico de Marx sobre a inevitabilidade do socialismo confirma-se assim plenamente diante de uma prova negativa.

(…)

Fonte O Marxismo no Nosso Tempo, de Leon Trotsky

Anúncios

From → O Tudo e o Nada

Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: