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Um caloroso “vá para o diabo” a todos os economistas que nos mandam trabalhar mais!

Julho 30, 2012

(…) E os economistas continuam a pedir aos operários: Trabalhem para aumentar a fortuna social! E, no entanto, um economista, Destut de Tracy, respondeu-lhes: “As nações pobres são aquelas onde o povo vive à vontade; as nações ricas são aquelas onde o povo normalmente é pobre.” E o seu discípulo Cherbuliez prosseguiu:

“Os próprios trabalhadores, ao cooperarem na acumulação de capitais produtivos, estão a contribuir para o acontecimento que, mais tarde ou mais cedo, irá privá-los de parte do seu salário.”

Mas, ensurdecidos e idiotizados pelos seus próprios urros, os economistas respondem: Trabalhem, trabalhem sempre pois é para o vosso bem-estar! E, em nome da mansidão cristã, um padre da Igreja anglicana, o reverendo Townshend, salmodiou: Trabalhem, trabalhem noite e dia; trabalhando, estão a aumentar a vossa miséria, e a vossa miséria dispensa-vos de vos impor o trabalho pela força da lei. A imposição legal do trabalho “dá muitas chatices, exige demasiada violência e dá muito nas vistas; pelo contrário, a fome é não só uma pressão pacífica, silenciosa e permanente, mas, como o o móbil mais natural do trabalho e da indústria, provoca também os mais poderosos esforços”.

Trabalhem, proletários, trabalhem para aumentarem a fortuna social e as vossas misérias individuais, trabalhem, trabalhem, para que, ficando mais pobres, tenham mais razões para trabalhar e ser miseráveis. É essa a lei inexorável da produção capitalista.

Porque, dando ouvidos às palavras falaciosas dos economistas, os proletários entregaram-se de corpo e alma ao vício do trabalho e estão a precipitar toda a sociedade nas crises industriais de superprodução que abalam o organismo social. Mas, dado que há superabundância de mercadorias e falta de compradores, as oficinas fecham e a fome fustiga as populações operárias com o seu chicote de mil correias. Os proletários, embrutecidos pelo dogma do trabalho, não compreendendem que o excesso de trabalho a que se submeteram durante o tempo de pretensa prosperidade constitui a causa da sua actual miséria, em vez de correrem para o celeiro e gritarem: “Temos fome e queremos comer!… É verdade, não temos meio pataco, mas apesar de sermos assim necessitados, fomos nós que apanhámos o trigo e que fizemos as vindimas…”.

(…)

Em vez de aproveitarem os momentos de crise para uma distribuição geral dos produtos e um regozijo universal, os operários, a morrer de fome, vão bater com a cabeça às portas das oficinas. Pálidos, magros e com palavreado lamurioso, assaltam os fabricantes: “Bom sr. Chagot, benigno sr. Schneider, dê-nos trabalho. Não é a fome que nos atormenta mas a paixão do trabalho!” E estes miseráveis, que mal se aguentam nas canetas, vendem doze a catorze horas de trabalho duas vezes mais barato do que quanto tinham pão na mesa. E os filantropos da indústria aproveitam-se do desemprego para fabricarem mais barato.

Se as crises industriais se seguem aos períodos de excesso de trabalho tão fatalmente como a noite ao dia, provocando o desemprego forçado e a miséria sem saída, provocam também inexoravelmente a bancarrota. (…)

Fonte O Direito à Preguiça, de Paul Lafarge

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From → O Tudo e o Nada

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