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“daí que o trabalho excessivo imposto a uns se torne o pressuposto da falta de trabalho de outros”

Julho 17, 2012

(…) Mas o aperfeiçoamento da maquinaria significa tornar supérfluo trabalho humano. Se as introduções e o aumento da maquinaria significam que uns poucos operários mecânicos desalojam milhões de operários manuais, também o aperfeiçoamento da maquinaria significa o desalojamento de um número cada vez maior dos próprios operários mecânicos e, em última instância, a criação de um número de assalariados disponíveis que ultrapassa a necessidade média de trabalho do capital, a criação de um exército industrial de reserva completo, como já em 1845 lhe chamei, disponível para as alturas em que a indústria trabalha a alta pressão, atirado para a rua pela derrocada que necessariamente se segue àquelas, mas em todos os casos um peso de chumbo amarrado aos pés da classe operária na sua luta pela existência contra o capital, um regulador para a restrição do salário ao nível baixo adequado à necessidade capitalista. E assim acontece que a maquinaria, para dizer com Marx, se torna a arma mais poderosa do capital contra a classe operária, que o meio de trabalho está constantemente a arrancar o sustento das mãos do operário, que o próprio produto do operário se transforma num instrumento de sujeição do operário. Daí que a economia dos meios de trabalho se torne, de antemão, a um tempo o desperdício mais brutal da força de trabalho e o roubo dos pressupostos normais da função de trabalho; daí que a maquinaria, que é o meio mais poderoso para o encurtamento do tempo de trabalho, passe a ser o meio mais infalível de transformar o tempo de vida do operário e da família deste em tempo de trabalho disponível para a valorização do capital; daí que o trabalho excessivo imposto a uns se torne o pressuposto da falta de trabalho de outros, e que a grande indústria, que percorre todo o globo terrestre à caça de novos consumidores, limite dentro do país o consumo das massas a um mínimo de fome e com isto mine o próprio mercado interno. “A Lei que mantém em permanente equilíbrio o excedente relativo de população, ou exército industrial de reserva, com o volume e a energia da acumulação do capital tem o operário mais preso ao capital do que as cunhas de Hefesto têm Prometeu preso aos rochedos. Ela condiciona uma acumulação de miséria que corresponde à acumulação do capital. A acumulação de riqueza num dos pólos é ao mesmo tempo, portanto, acumulação de miséria, de tormento, de trabalho, de escravidão, de ignorância, de bestialização e de degradação moral no pólo oposto, ou seja, por parte da classe que produz o seu próprio produto como capital.” (Marx, Capital, p. 671). E esperar do modo de produção capitalista uma outra distribuição dos produtos seria exigir que os eléctrodos de uma bateria deixassem a água por decompor enquanto estão ligados à bateria, e que não desenvolvessem oxigénio no pólo positivo e hidrogénio no pólo negativo.

(…)

Fonte Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, de Friedrich Engels

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From → O Tudo e o Nada

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