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FMI ou Fascismo Monetário Internacional para os amigos

Julho 13, 2012

(…)

E para os que podem considerar exagerada a nossa classificação de “fascismo económico” da política económica em curso, faria um breve registo histórico.

A 1 de Julho, perfaz 84 anos sobre a entrada em vigor do Orçamento Geral do Estado para 1929/1930 do ministro das Finanças Oliveira Salazar. Um orçamento com um excedente, com “saldo positivo”. Um orçamento que cumpria com antecipação os critérios de Maastricht e do Pacto de Estabilidade.

Orçamento que foi recordado no ano de 1999, quando fez 70 anos, nas páginas do Diário de Notícias, com os comentários elogiosos de ex-minitros e economistas de governos PSD, PS e CDS. Escreviam então (e cito para os que gostam de anacronismos): “Salazar (…) é um ministro das Finanças moderno” (Braga de Macedo). “Eu não gostaria de sugerir que os meus amigos do FMI são salazaristas, mas fazem as contas da mesma forma como Salazar refere (…)” (Miguel Beleza). “Se dermos números às medidas (…) [de Salazar] acabamos por anunciar, em termos teóricos, os critérios de Maastricht” (Ernâni Lopes). “Salazar tinha “toda a razão quando afirmava que a consolidação [orçamental] era absolutamente indispensável para o País ganhar condições de progresso económico” (Silva Lopes).

Anacrónicos, são os que adoptam, passados mais de 80 anos, os critérios de Salazar na gestão orçamental e económica!

E foi pena que os ex-ministros não tirassem conclusões sobre aonde conduziu o País essa política de “equilíbrio orçamental”, porque teriam de afirmar: conduziu ao país mais atrasado da Europa e a uma negra ditadura necessária para impor aquela “ditadura financeira” aos trabalhadores e ao povo português. Regressemos ao presente. A semana passada, deputados do Grupo de Trabalho da Grande Distribuição/Comissão de Economia e Obras Públicas tiveram a oportunidade, na Audição da CONFRAGI, de ouvir o seu presidente a referir que o poder económica dos grupos de grande distribuição não era já e apenas uma questão de economia, mas que punha a democracia em causa. E puderam ouvir, na mesma audição, o presidente da Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores falar de “ditadura económica” desses grupos.

(…)

Agostinho Lopes
(Intervenção proferida dia 25 de Junho no debate da moção de censura do PCP ao Governo)

Fonte Jornal Avante! 12.7.2012 

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From → O Tudo e o Nada

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