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“Algumas notas sobre o óbvio”

Julho 7, 2012

Os traços dominantes do que é difundido, ainda que com diferentes matizes, são comuns a públicos e a privados. A defesa de que o capitalismo é o fim da história. Que a democracia, tal como a conhecemos, não sendo perfeita não tem alternativa. A fabricação de factos políticos. A “venda” como notícias de acontecimentos acessórios: escândalos, crimes, desgraças. Os reality show. A vida da chamada alta sociedade apresentada como padrão. A primazia das sondagens, barómetros, estudos de opinião sobre a própria realidade. A ostracização de quem defende vias alternativas. Mas também o que não se noticia. O que se silencia é, na maior parte das vezes, tão ou mais importande do que o que se publica. O esforço para a padronização é óbvio.

(…)

O radicalismo pequeno burguês

(…)

Todos falam em “inovação” de ideias, de métodos, de processos. E de tempos a tempos, lá vão desenterrando velharias nossas conhecidas do oportunismo de direita e de esquerda. E lá temos nós de recordar o óbvio!

“(…) ao discutirem-se concepções acerca da situação política, dos objectivos da luta, do processo revolucionário, tem-se em vista a definição correcta das tarefas que se colocam às forças revolucionárias e a sua realização. Conforme com uma indicação célebre, o problema que se coloca aos comunistas não é apenas o de explicar e interpretar o mundo, mas o de transformá-lo.”

Da lei da baixa tendencial da taxa de lucro

Não cabe no âmbito deste artigo a explicação exaustiva desta lei abordada por Marx no Livro III (ainda não traduzido) de “O Capital”. Apenas uma breve explicação.

A lei da baixa tendencial da taxa de lucro exprime a tendência para a diminuição da taxa de lucro, resultante da evolução da composição orgânica do capital. A composição orgânica do capital expressa a relação entre o capital constante (meios de produção – instalações, terrenos, maquinarias – e matérias-primas) e capital variável (compra de horas de trabalho).

Para compensar esta queda da taxa de lucro, a classe dominante procura, em permanência, um aumento da taxa de exploração. O que só é possível, mesmo assim apenas temporariamente, em condições excepcionais, negativas, da relação de forças sociais. Marx enuncia seis factores que podem contrariar essa lei tendencial:

1. aumento do grau de exploração do trabalho;
2. redução do salário abaixo do seu valor;
3. baixa de preços dos elementos do capital constante;
4. sobrepopulação relativa;
5. comércio externo;
6. aumento do capital por acções.

Este simples enunciado demonstra à sociedade que as actuais políticas dos mandantes detentores do capital e dos seus executantes, na presente correlação de forças, procuram desencadear os factores e as dinâmicas que contrariem a lei da baixa tendencial da taxa de lucro. Isto ao mesmo tempo que se procura negar a própria existência da lei.

Não estamos, ao contrário do que defendem e escrevem alguns, perente uma situação de alguns senhores e senhoras mal comportados. Não! Estamos perante uma acção consciente e concertada do capital. Podem não ter estudado Marx. Mas, como é óbvio, lá que o aplicam, aplicam! 

(…)

António Vilarigues

Fonte Jornal Avante! 5.7.2012 

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From → O Tudo e o Nada

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