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Uma lição de História: A Revolução Cultural Chinesa

Maio 23, 2012

(…)

INTRODUÇÃO

Toda a luta política é uma luta pelo poder. Houve três eventos fundamentais no caminho para a revolução socialista. O primeiro foi a Comuna de Paris. Falhou, mas com ela o proletário ganhou uma experiência valiosa. A Revolução de Outubro foi a primeira revolução proletária vitoriosa. A Revolução Cultural é o primeiro exemplo de uma revolução que tem lugar numa ditadura do proletariado já estabelecida. Porque razão foi necessário desencadear outra revolução após a tomada do poder, e que motivou o Partido Comunista Chinês e o proletariado Chinês a promover tal revolução? A explicação encontra-se na lei objectiva da luta de classes. Toda a revolução deve ser consolidada algum tempo após a vitória inicial. Os inimigos da classe não se conformarão com o seu destino. Desapossada, a burguesia luta pela restauração.

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A revolução burguesa deixa intacta a propriedade. A revolução proletária apodera-se da propriedade. A classe detentora da propriedade tenta uma restauração. A história revela que frequentamente uma revolução tem sido seguida de uma restauração. Na União Soviética a contra-revolução foi vencida e a propriedade privada transferida para o Estado, mas falharam ao fazer uma Revolução Cultural. A ideologia burguesa não foi remodelada e corrompeu o poder proletário. Em 1956, Khrushchev realizou uma espécie de restauração do capitalismo. Uma vez mais, a História é colorida pela experiência chinesa. O crime fundamental de Khrushchev foi no domínio da política internacional. Toda a responsabilidade pelo revisionismo lhe caiu em cima. (Não se desenvolveu a ideia de que Estaline tornou inevitável a política de Khrushchev.)

A triste lição do revisionismo na União Soviética adverte-nos que não é suficiente a abolição da propriedade privada; a revolução deve alargar-se à superestrutura do sistema económico. Também na China, após a vitória da revolução de 1949, persistiu a luta de classe e as forças reaccionários tentaram a restauração.

Nos dezoito anos que se seguiram à Libertação, a burguesia desencadeou três ataques principais.

Em 1951-2, utilizaram o poder económico que dominavam ainda, na tentativa de desviar a ditadura do proletariado. (Neste contexto, burguesia tem o significado normal da antiga classe de capitalistas e funcionários desapossados.) O Partido Comunista defendeu a revolução contra-atacando com as campanhas dos Três Pecados e dos Cinco Pecados (*).

Em 1957, os Direitistas lançaram um ataque nos campos político e ideológico. Serviram-se de algum poder político que lhes fora deixado (e do prestígio dos intelectuais, insubstituíveis ainda na administração e nos ensino). O movimento anti-Direitista de 1957 foi reacção a este ataque.

Nos três piores anos da crise nas colheitas e da retirada do auxílio Soviético, 1959, 1960, 1961, a burguesia lançou um grande ataque, sem precedentes. (Desta vez, dirigentes do Partido tiveram maior responsabilidade que a antiga burguesia.) O ataque centrou-se no campo ideológico. Utilizaram a rádio e a imprensa na propaganda da restauração. (Aqui, restauração significa revisionismo segundo o modelo de Khrushchev – uso de incentivos económicos, encorajamento do comércio privado e assim por diante.) Propuseram ideias políticas tendentes à restauração do capitalismo e muitos dos seus esquemas foram, total ou parcialmente, postos em prática. Atingiu o auge, neste período, a influência de certos dirigentes do Partido que defendiam a via capitalista. Usurparam o poder em algumas empresas. Esta a razão que tornou necessária a Revolução Cultural. Trata-se de uma luta pelo poder político, isto é, tomada de poder a esses dirigentes de Partido. A proclamação do Presidente Mao: A revolta justifica-se, significa, neste, arrebatar o poder ao dirigente do Partido.

O marxismo ensina que o proletariado deve tomar ao estado burguês. É a primeira fase do estabelecimento do socialismo. Conduzida por Lenine e Estaline [e Trotsky], a revolução proletária venceu a burguesia. Foi a segunda fase. Sob a chefia de Mao Tsé-tung, executou-se a revolução numa sociedade semi-feudal e semi-colonial. A terceira fase é a Revolução Cultura na vigência da ditadura do proletariado, visando a sua consolidação. A necessidade da tomada do poder, não abrange o conjunto da sociedade, limita-se a certos domínios e regiões. A revolução proletária inverte a restauração nas zonas onde o dirigente máximo do Partido usurpou o poder. Trata-se de uma inovação, sem precedentes históricos.

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(*) Os Três Pecados eram vícios dos funcionários governamentais – corrupção, dissipação e burocracia. Os Cinco Pecados era vícios dos homens de negócios capitalistas que, na altura, ainda não tinha sido absorvidos pelo sistema socialista – suborno do pessoal governativo, evasão fiscal, roubo de propriedades do estado, fraude nos contratos com o governo e desvio de informações económicas.

Fonte A Revolução Cultura na China, de Joan Robinson

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