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Quem são “eles”?

Maio 9, 2012

(…)

Assim contrariamente a uma ideia em voga, a finança tem mesmo um rosto – ou antes, rostos. Não o do aposentado da Florida ou do pequeno accionista europeu que complacentemente a impresa expõe, mas os de uma oligarquia de propriatários e gestores de fortunas. Jean Peyrelevade lembrava em 2005 que 0,2% da população mundial controlava metade da capitalização bolsista do planeta. As carteiras de títulos são geridas por bancos (Goldman Sachs, Santander, BNP Paribas, Société générale, etc.), companhias de seguros (American Internacional Group [AIG], AXA, Scor, est.), fundos de pensões ou de investimento (Berkshire Hathaway, Blue Ridge Capital, Soros Fund Management, etc.), tudo instituições que investem também os seus próprios fundos.

Esta minoria especula sobre a cotação das acções, da dívida soberana ou das matérias-primas graças a uma gama quase ilimitada de produtos derivados que revelam a inesgotável inventividade dos engenheiros financeiros. Longe de serem o resultado “natural” da evolução de economias maduras, os “mercados” constituem o elemento mais dinâmico de um projecto que os economistas Gérard Duménil e Dominique Lévy observam ter sido “concebido para aumentar os rendimentos das classes superiores”. É um êxito inegável: o mundo tem hoje perto de 63 000 “centa-milionários” (detentores de pelo menos cem milhões de dólares), que representam uma fortuna combinada de cerca de 40 biliões de dólares (ou seja, um ano do produto interno bruto mundial).

De irresponsáveis a “sábios”

A encarnação dos mercados pode revelar-se embaraçosa, de tal modo é por vezes mais cómodo desafiar moinhos de vento. “Nesta batalha que começa, vou dizer-lhes qual é o meu verdadeiro adversário”, clamou o candidato socialista à eleição presidencial francesa, François Hollande, no seu discuro do Bourget (Seine-Saint-Denis), no passado dia 22 de Janeiro. “Não tem nome, não tem rosto, não tem partido, nunca apresentará a sua candidatura e nunca, por isso, será eleito. Este adversário é o mundo da finança.” Atacar os actores reais da alta banca e da grande indústria bem teria podido levá-lo a nomear os dirigentes dos fundos de envestimento, que decidem, em plena consciência, lançar ataques especulativos sobre a dívida dos países do Sul da Europa. Ou então a pôr em causa as duplas funções de alguns dos seus conselheiros, sem esquecer as dos seus (ex-)colegas socialistas europeus que passam de uma Internacional para outra.

(…)

Geoffrey Geuens, Docente e investigador na Universidade de Liège

 Fonte Le Monde Diplomatique Ed. Portuguesa Maio 2012

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From → O Tudo e o Nada

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