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“Desde 1826, tivemos crises dessas” e agora “estamos em vias de voltar a cair”.

Março 23, 2012

(…) O conflito torna-se inevitável, e como não pode ter solução enquanto não se destruir a forma de produção capitalista, esse conflito torna-se periódico. A produção capitalista cria um “novo círculo vicioso”.

Com efeito, desde 1825, data em que estalou a primeira crise geral, todo o mundo industrial e comercial, a produção e a troca de todos os povos civilizados e dos seus anexos mais ou menos bárbaros, desloca-se aproximadamente de dez em dez anos. O comércio afrouxa, os mercados estão a abarrotar, os produtos acumulam-se em massa, sem se lhes poder dar saída, o dinheiro some-se, o crédito desaparece, as fábricas param , as massas trabalhadoras carecem de meios de vida, porque os produziram com excesso; a bancarrota sucede à bancarrota, as liquidações sucedem às liquidações. A paralisação dura anos inteiros, as forças produtivas e os produtos malbaratam-se e destroem-se até que a produção e a troca se restabelecem, pouco a pouco. Profressivamente, acelera e converte-se em trote, depois em calope e, rapidamente, converte-se em corrida desenfreada, em steeple-chase geral da indústria, do comércio do crédito, da especulação, para cair, depois de saltos perigosíssimos… no fosso da crise. E o facto renova-se sem cessar. Desde 1826, tivemos crises dessas cinco vezes e, neste momento (1877), estamos em vias de voltar a cair pela sexta vez. O carácter de tais crises é tão manifesto, que Fourier definiu todas quando definiu a primeira como crise pletórica, crise por superabundância.

Em tais crises, vê-se estalar a contradição que existe entre a produção social e apropriação capitalista. A circulação de mercadorias reduz-se a nada, momentaneamente; o instrumento da circulação, a moeda, converte-se em obstáculo para a circulação; todas as leis da produção e da circulação se invertem. A colisão económica atinge o seu máximo: a forma de produção vira-se contra a forma de troca, as forças produtivas viram-se contra a forma de produção na qual já não podem conter-se.

Fonte Anti-Dühring, de Friedrich Engels

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From → O Tudo e o Nada

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