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A Primavera começa a 22 de Março com a Greve Geral!

Fevereiro 28, 2012

A Primavera só começou a fazer sentido para ele a partir da Marcha da Paz. Coincidência comovedora, o domingo da marcha de Maratona até Atenas calhava a um 22 de Março. Há muito que os jornais da esquerda preparavam este dia. “A primeira Primavera após a morte de Z. desponta. A Grécia comemora a recordação do seu grande defunto. Do herói da paz. Do herói de todo o mundo.” Retratos de Z., calendários, álbuns, recordações. Pairava um ambiente de arraial. Mas Hatzis ficara entrestecido com as declarações de Papandréou. Claro, não ousara proibir a marcha. Mas abstinava-se de a aprovar, mesmo tácitamente. Tentara desencorajar a opinião pública dizendo que a marcha, sendo monopolizada pela esquerda, não representava a esmagadora maioria dos Gregos amantes da paz, mas a torturante minoria de alguns pacifistas extremistas. Hatzis perguntava a si próprio como o mesmo Papandréou, no ano passado, ainda chefe da oposição, tinha podido estigmatizar a proibição da marcha e como este ano, estando no Poder, podia condená-la de antemão ao malogro? Como pudera, quando da morte de Z., denunciar o crime e apelidar o Governo de “bárbara”, de “governo sanguinário”, e como podia ele – já não homenageando Z. – não se calar ao menos perante o mesmo sangue? Então a política não respeitava nada? Ou talvez não houvesse nenhuma diferença entre os dois partidos burgueses – o liberal e o reaccionário? Ora estava um no Poder, ora o outro, tal como dois aldeões que partilham o mesmo macho. O macho é o povo que os carrega sucessivamente às costas e que só se apercebe da mudança pela diferença de peso. Tudo o que ele sabia acerca disso tinha-o aprendido sozinho. Era comunista e sabia que nem tudo no seu partido era de louvar, mas reconhecia-lhe uma linha bem delineada. Quanto aos outros – uma a que chamavam Maria e outra Katina ., era duas prostitutas da Rua Athinas. Tais eram os pensamentos de Hatzis na alvorada do domingo da segunda Marcha da Paz de Marotana.

excerto de Z, de Vassilis Vassilikos

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From → O Tudo e o Nada

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